Mesmo diante de restrições orçamentárias, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mantém sua posição de destaque entre as maiores instituições de ensino e pesquisa do Brasil. Recentemente, o Center for World University Rankings (CWUR) classificou a UFRJ como a 2ª melhor universidade brasileira, entre as 53 listadas entre as 2 mil mais bem colocadas no mundo.
Essa posição se sustenta graças a centros de excelência como o LabOceano. Inaugurado em 2023, o laboratório possui um dos maiores tanques oceânicos do planeta. Com 40 metros de comprimento, 30 de largura e 15 de profundidade, o tanque comporta 22 milhões de litros de água.
A estrutura simula fenômenos em lâminas d’água superiores a 2 mil metros. O equipamento permite testes avançados em plataformas de petróleo, turbinas eólicas offshore e sistemas navais.
“Buscamos reproduzir as condições reais do mar para validar tecnologias oceânicas com segurança e precisão”, afirma Paulo de Tarso Esperança, coordenador do LabOceano.
Além de aplicações científicas, o tanque serviu como cenário para a série sobre o naufrágio do Bateau Mouche IV, produzida pelo Globoplay, ao simular a Baía de Guanabara.
Tecnologia de ponta para entender o planeta e prever riscos
Outro projeto estratégico é o Lamce (Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia). Com foco em visualização científica, o espaço possui um domo imersivo apelidado de “caverna”. Nele, pesquisadores projetam imagens em escala global para analisar fenômenos atmosféricos e oceânicos, como El Niño e La Niña.
Durante os Jogos Olímpicos de 2016, o Lamce ajudou a prever as correntes e os ventos nas raias de competição. O laboratório também atua em projetos educacionais com alunos da rede pública.
“O Lamce conecta ciência e sociedade com alta tecnologia e visualização interativa. Isso fortalece tanto o ensino quanto a prevenção de riscos climáticos”, destaca Luiz Paulo Assad, professor da Coppe.
Inteligência artificial e supercomputadores lideram nova era digital
A Coppe/UFRJ é referência nacional na aplicação de inteligência artificial (IA). Desde 2020, opera o Hub.Rio, um centro de excelência em IA criado em parceria com o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC). O hub integra os supercomputadores Lobo Carneiro (Coppe) e Santos Dumont (LNCC), os mais potentes do Brasil.
A IA também apoia a saúde pública. Pesquisadores da Coppe e da Fiocruz criaram um teste rápido de covid-19 com base na proteína spike. Em outra frente, a Coppe colabora com o centro europeu EuroFlow para diagnosticar leucemias e linfomas por meio de IA.
Energia renovável: hidrogênio verde é aposta para o futuro
Em paralelo, a UFRJ desenvolve pesquisas em energias limpas e alternativas. A universidade lidera estudos sobre a produção de hidrogênio verde offshore, gerado a partir de energia eólica no mar. Segundo estudos da Coppe, o litoral brasileiro oferece condições ideais para essa produção, o que pode inserir o Brasil no cenário global da transição energética.
Nanotecnologia e saúde: avanços em regeneração de tecidos
Desde 2013, a UFRJ também investe em nanobiotecnologia. O Programa de Engenharia da Nanotecnologia (PENt) aplica nanotecnologia à medicina, desenvolvendo soluções para diagnósticos de precisão, engenharia de órgãos e regeneração de tecidos.
Fontes: oglobo.globo.com