Três prédios construídos de forma irregular na comunidade da Rocinha, Zona Sul do Rio de Janeiro, começaram a ser demolidos nesta quinta-feira (26) durante uma grande operação conjunta da Prefeitura, Ministério Público e Polícia Militar. As construções, que tinham entre dois e sete andares, área gourmet, piscina na cobertura e acabamento de alto padrão, foram erguidas sem qualquer autorização e estariam sendo usadas como esconderijo por traficantes do Comando Vermelho, incluindo criminosos foragidos do Ceará.
Estruturas luxuosas escondiam criminosos e apresentavam riscos
Os imóveis, localizados na região da Dionéia, ocupavam cerca de 2 mil m² e destoavam das construções vizinhas. Os prédios apresentavam revestimento em porcelanato, pias douradas e até geladeiras abastecidas com bebidas. Além disso, os agentes encontraram uma passagem secreta em um dos edifícios, que levava a uma escada camuflada, conectando o local à mata — provavelmente usada como rota de fuga.
Os engenheiros da Prefeitura do Rio estimam que o custo total das obras ilegais seja de aproximadamente R$ 6 milhões. As edificações, além da irregularidade, foram erguidas em área desmatada e apresentavam alto risco de desabamento, colocando em perigo moradores da região.
Ação integrada mobilizou diversos órgãos
A operação de demolição é realizada manualmente, com marretas, já que as máquinas não conseguem chegar ao topo da comunidade. A ação envolve o Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (Gaema/MPRJ), a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), o Comando de Operações Especiais (COE), o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e o Batalhão de Polícia de Choque (BPChq). A operação conta ainda com o apoio do Ministério Público do Ceará e da Polícia Civil cearense.
A Secretaria Municipal de Educação informou que oito escolas foram impactadas pela operação, enquanto a Secretaria de Saúde relatou suspensão temporária de atividades em uma unidade da região.
Ligação com o crime organizado
As investigações apontam que os prédios serviam de abrigo para criminosos ligados ao Comando Vermelho no Ceará. Esses indivíduos, segundo o Ministério Público, ordenavam à distância ataques a empresas de internet em Fortaleza e outros municípios, extorquindo funcionários e prejudicando o serviço para milhares de pessoas.
Essa é mais uma ação que visa sufocar a logística do crime organizado no Rio, atingindo diretamente os bens usados como suporte às atividades criminosas e fortalecendo o combate ao tráfico.
Fontes:
odia.ig.com.br
cidadedeniteroi.com
1.folha.uol.com.br