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Estádio estreia espaços adaptados com capacidade para 18 pessoas, oferecendo atendimento especializado e promovendo inclusão durante eventos esportivos.

O Maracanã lançou, neste domingo, duas salas sensoriais voltadas para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Cada espaço conta com isolamento acústico, iluminação especial e elementos sensoriais, visando garantir uma experiência inclusiva em um dos maiores estádios do mundo.

Cada sala tem 57m² e capacidade para 18 pessoas, incluindo dois funcionários que prestarão atendimento especializado. Localizadas no quinto pavimento do Setor Oeste, as salas seguem a Lei Municipal nº 7.973/2023, que exige espaços adaptados em estádios do Rio com capacidade superior a 5 mil torcedores.

A inauguração ocorreu durante o clássico entre Fluminense e Botafogo, e foi celebrada pelos movimentos de inclusão dos quatro grandes clubes do estado: Fogo Serrano Inclusão Botafoguense (Botafogo), AutistasFlu (Fluminense), Autistas da Colina (Vasco) e Autistas Rubro Negros (Flamengo).

“É uma conquista pessoal. Durante anos, tivemos que improvisar para levar pessoas autistas ao estádio. Ter esse espaço é um marco na história do Maracanã”, afirma Monike Lourinho, fundadora da AutistasFlu.

As salas também foram adaptadas para pessoas com baixa estatura e deficientes visuais. Os ingressos para os espaços serão geridos pelo mandante da partida. Representantes de movimentos de inclusão consideram a iniciativa um grande passo para a inclusão social:

“Agora temos a chance de proporcionar essa vivência para muitas famílias, mostrando que pessoas com autismo podem frequentar estádios de forma segura e confortável”, completa Monike.

Segundo a lei municipal, 0,5% dos ingressos deve ser reservado para pessoas com TEA, e a obrigatoriedade se aplica também a arenas e ginásios da cidade. Antes da inauguração, esse público compartilhava espaços com demais torcedores, enfrentando estímulos sensoriais que dificultavam a experiência em jogos.

“Antes do nosso movimento surgir, frequentávamos sempre as arquibancadas, porém sempre a procura de um espaço mais isolado das torcidas organizadas, visando sempre a necessidade de nos afastar dos estímulos sonoros e sensoriais que a arquibancada proporciona. A inauguração desse espaço do Maracanã é a realização de anos de luta”, conta Vanessa Barroso, fundadora da Autistas da Colina.

Walter Azevedo, da Fogo Serrano Inclusão Botafoguense, explica que a sensibilidade sensorial vai além da audição:

“Muita gente acha que é somente audição e não é. De autista para autista nenhum deles é igual, tem as suas diferenças, mas essa parte de audição e de tumulto – o que acontece justamente dentro do estádio, como fogos, prejudica bastante eles”

O Maracanã é o último dos três grandes estádios do Rio a inaugurar um espaço dedicado a pessoas com TEA. O Vasco foi o primeiro, em São Januário, em abril de 2024, seguido pelo Botafogo no Nilton Santos, em novembro do mesmo ano.

“Eu acho que é um grande avanço. Mas a gente não pode só ficar conformado com o estádio, achar que está com a missão cumprida. É muito além disso, sabe? Mas que isso vai dar uma visibilidade para a gente, vai ser muito importante um estádio como o Maracanã ter um espaço adaptado para os autistas”, afirma Marcos Felipe, fundador da Autistas Rubro Negros.

Fonte: Globoesporte

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