Um homem foi preso em flagrante pela Polícia Federal ao desembarcar no Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, na Zona Norte do Rio, com ampolas de medicamento usado para emagrecimento sem a documentação exigida. O passageiro transportava tirzepatida, princípio ativo associado a medicamentos como o Mounjaro, e foi abordado durante uma fiscalização de rotina.
Segundo as informações disponíveis, o homem havia saído de Foz do Iguaçu, no Paraná, e estava em conexão no Rio de Janeiro com destino a Palmas, no Tocantins. Na bagagem, policiais federais encontraram ampolas de canetas emagrecedoras sem comprovação de importação regular.
Medicamento estava na bagagem despachada
A apreensão ocorreu durante a fiscalização da bagagem do passageiro. Os agentes localizaram frascos de tirzepatida, substância usada em tratamentos específicos para diabetes tipo 2, obesidade ou condições relacionadas ao peso, sempre com acompanhamento médico e dentro das regras sanitárias.
Ao ser questionado sobre a origem dos medicamentos, o suspeito não apresentou a documentação exigida para entrada regular do produto no país. Por isso, foi preso em flagrante.
A Polícia Federal informou que o caso é tratado como contrabando e importação irregular de medicamento sem registro ou sem autorização do órgão de vigilância competente.
PF apura contrabando de medicamentos
A importação irregular de medicamentos é considerada grave por causa do risco à saúde pública. Produtos sem controle sanitário podem ter origem desconhecida, armazenamento inadequado, composição diferente da informada ou até falsificação.
No caso das canetas emagrecedoras, a fiscalização tem sido reforçada por causa do aumento da procura por medicamentos injetáveis para perda de peso. A venda e o transporte desses produtos fora dos canais autorizados preocupam autoridades sanitárias e policiais.
O investigado poderá responder por contrabando e por importar medicamento sem autorização regular. A apuração deve verificar a origem dos produtos, o destino final das ampolas e se havia intenção de revenda.
Tirzepatida é alvo de atenção da Anvisa
A tirzepatida é uma substância presente em medicamentos usados no controle do diabetes tipo 2 e, em indicações específicas, no controle crônico do peso. No Brasil, esse tipo de medicamento exige prescrição médica e deve seguir as normas da Anvisa.
A agência sanitária tem alertado para o risco do uso de canetas emagrecedoras irregulares, especialmente as vendidas pela internet, redes sociais ou canais informais.
Produtos sem registro, sem rastreabilidade ou de origem desconhecida não oferecem garantia de qualidade, conservação, segurança ou eficácia. Por isso, a recomendação é que medicamentos desse tipo sejam adquiridos apenas em farmácias e drogarias autorizadas.
Caso ocorre após demissão de servidor da Anvisa
A prisão no Galeão ocorre no mesmo contexto de reforço na fiscalização sobre medicamentos emagrecedores. Na sexta-feira (10), a Anvisa demitiu o servidor José Vieira de Souza Filho, preso no ano passado sob suspeita de desviar canetas emagrecedoras apreendidas no próprio Aeroporto do Galeão.

José Vieira de Souza Filho, servidor da Anvisa, preso pela Polícia Federal em agosto de 2025 — Foto: Reprodução
A decisão foi publicada no Diário Oficial da União após conclusão de processo administrativo disciplinar. O servidor foi enquadrado por usar o cargo para obter vantagem pessoal, enriquecimento ilícito e improbidade administrativa.
A investigação teve início depois de uma denúncia feita pela própria Anvisa à Polícia Federal, a partir da suspeita de que medicamentos apreendidos estavam sendo desviados do depósito da agência no aeroporto.
Canetas apreendidas teriam desaparecido de depósito
Segundo as investigações do caso envolvendo o servidor demitido, medicamentos para emagrecimento apreendidos no Galeão teriam sido encaminhados ao depósito da Anvisa após uma tentativa de entrada irregular no país.
As apurações apontaram que um despachante teria procurado o servidor e oferecido dinheiro em troca das canetas apreendidas. Meses depois, os medicamentos começaram a desaparecer do local onde estavam armazenados.
Em agosto de 2025, o servidor foi preso em flagrante pela Polícia Federal no estacionamento do aeroporto, com canetas emagrecedoras dentro de uma mochila. Na época, a Anvisa informou que ele havia sido afastado imediatamente das funções.
Venda irregular preocupa autoridades
A popularização das canetas emagrecedoras fez crescer também o mercado irregular desses produtos. Medicamentos como os agonistas de GLP-1, classe que inclui substâncias como semaglutida, liraglutida e tirzepatida, passaram a ser divulgados em redes sociais e vendidos de forma clandestina.
O problema é que, fora dos canais autorizados, não há controle sobre procedência, armazenamento, validade, temperatura de conservação e composição real do produto.
Além do risco de falsificação, o uso sem orientação médica pode provocar efeitos adversos e agravar problemas de saúde. Por isso, autoridades reforçam que esse tipo de medicamento deve ser usado somente com prescrição, acompanhamento profissional e compra em estabelecimentos autorizados.
Aeroporto do Galeão vira ponto de atenção
O Aeroporto Internacional do Galeão tem sido um dos pontos de atenção para a fiscalização de medicamentos irregulares. Por receber voos nacionais e internacionais, o terminal é monitorado por órgãos como Polícia Federal, Receita Federal e Anvisa.
Casos envolvendo canetas emagrecedoras mostram que parte dos produtos pode entrar no país de forma irregular para abastecer redes clandestinas de venda.
A fiscalização em bagagens, depósitos e cargas busca impedir que medicamentos sem controle sanitário cheguem ao consumidor final.
Risco à saúde pública
A Anvisa alerta que medicamentos apreendidos ou sem regularização podem não ter condições adequadas de armazenamento e conservação. No caso das canetas emagrecedoras, isso é ainda mais sensível, já que muitos produtos exigem controle de temperatura e rastreabilidade.
Quando o medicamento é transportado em bagagem comum, sem documentação e sem garantia de conservação, não há como assegurar que ele mantenha qualidade e segurança para uso.
Por isso, a compra em canais informais, mesmo quando o produto aparenta ser original, pode representar risco ao consumidor.
Investigação deve apurar destino das ampolas
A Polícia Federal deve investigar se as ampolas apreendidas seriam usadas pelo próprio passageiro ou se tinham como destino a revenda irregular. Também será apurada a origem dos medicamentos e a eventual participação de outras pessoas no transporte.
O material apreendido pode passar por análise para confirmar composição, regularidade e procedência.
A investigação também poderá cruzar informações com outros casos de apreensão de canetas emagrecedoras no país.