Pelo menos quinze membros do Comando Vermelho de Mato Grosso se refugiam em favelas do Rio de Janeiro, e pagam até R$ 80 mil mensais para garantir abrigo e proteção. A quantia inclui cerca de R$ 50 mil em dinheiro e o restante em fuzis avaliados entre R$ 20 mil e R$ 30 mil.
As investigações do Gaeco apontam que essas lideranças trocam armas e drogas por refúgio, o que fortalece atuação e influência territorial da facção no Sudeste.
Elas optaram por comunidades como Rocinha, Vidigal, Complexo do Alemão e Penha, justamente por serem áreas dominadas pelo tráfico e com menor presença estatal.
Estrutura da facção e dimensão em Mato Grosso
O Comando Vermelho atua fortemente em Mato Grosso, onde domina cerca de 95% dos municípios e possui estimativa de dez mil integrantes, segundo o Ministério Público estadual.
Líderes como Jonas Souza Garcia Júnior (“Batman”) são identificados como principais articuladores, com condenações que somam 49 anos de prisão e, segundo investigações, continuam a comandar de fora da prisão.
A migração desses chefes para o Rio visa dificultar a captura e permitir que mantenham controle remoto sobre o tráfico, enquanto utilizam as comunidades cariocas como base de apoio e logística.
Armas e infraestrutura de apoio
Somente neste ano, a facção enviou pelo menos 16 armas de grosso calibre para as comunidades do Rio, transportadas por carro ou ônibus. A troca inclui fuzis por abrigo, o que evidencia a rede interestadual de criminalidade.
O promotor‑chefe do Gaeco, Adriano Roberto Alves, afirmou que “eles foram para o Rio porque aqui a polícia entra em qualquer lugar. Lá, não. É um território dominado, como a Faixa de Gaza — o Estado não tem soberania”.
Impactos para a segurança pública
A ação evidencia que o Estado enfrenta grandes desafios para conter a atuação de facções que operam além das fronteiras estaduais. A coordenação entre estados e a atuação de forças integradas mostram-se essenciais.
A Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro divulgou que suas forças mantêm cooperação interestadual e participam de fóruns nacionais para troca de informações e estratégias conjuntas.
Próximos passos das investigações
O Gaeco requisita à Justiça a regressão de regime para líderes foragidos que continuam a comandar organizações criminosas mesmo em regime semiaberto ou monitorado.
As autoridades também investigam se foragidos de Mato Grosso estiveram entre os mortos ou presos em recentes operações policiais no Rio.
Fontes: diariodorio.com