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Estudo identifica ilhas de calor até 6 °C mais quentes em comunidades e relaciona altas temperaturas à ausência de árvores e ao adensamento urbano.

Foto: Reprodução

Moradores de favelas do Rio sentem de forma mais severa os efeitos do calor extremo.
Segundo dados do IBGE, seis em cada dez residentes vivem em áreas sem qualquer arborização.

Fora desses territórios, o cenário é diferente.
Cerca de 69% da população urbana mora próxima a árvores e áreas verdes.

Ilhas de calor chegam a 6 °C acima da média

Pesquisadores identificaram ilhas de calor no Complexo da Maré, na Zona Norte.
Em alguns pontos, a temperatura supera em até 6 °C regiões vizinhas.

As áreas mais afetadas incluem Nova Maré, Baixa do Sapateiro e Conjunto Bento Ribeiro Dantas.
O levantamento foi realizado ao longo de seis meses, em 2023.

Além disso, a diferença térmica entre a comunidade e o Aeroporto do Galeão, a seis quilômetros, chega ao mesmo patamar.

Urbanização precária agrava a sensação térmica

Ruas estreitas, moradias adensadas e verticalização excessiva dificultam a circulação de ar.
Consequentemente, o calor se concentra entre construções próximas.

Segundo pesquisadores, materiais usados nas casas absorvem calor e não refletem radiação.
Além disso, a ausência de áreas verdes reduz a possibilidade de resfriamento natural.

Rotina impactada pelo calor extremo

Moradores relatam sensação térmica insuportável dentro das residências.
Em lajes e pavimentos superiores, o chão chega a queimar sob o sol intenso.

A falta de sombra dificulta deslocamentos, trabalho externo e atividades cotidianas.
Com isso, o estresse térmico aumenta e afeta saúde e bem-estar.

Falta de dados reforça invisibilidade climática

Pesquisadores alertam para a ausência de estações meteorológicas em áreas periféricas.
Sem dados oficiais, os impactos do calor extremo permanecem subnotificados.

Para enfrentar o problema, organizações planejam instalar sensores de temperatura e qualidade do ar.
A iniciativa busca registrar efeitos das mudanças climáticas dentro das casas.

Energia e água agravam cenário no verão

Além do calor intenso, moradores enfrentam falta de água e quedas frequentes de energia.
Durante ondas de calor, temperaturas internas chegam a 40 °C ou mais.

Esse cenário se repete anualmente, sobretudo entre dezembro e janeiro.
A população já espera interrupções nos serviços essenciais.

Ações públicas e desafios

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente afirma realizar plantio de árvores nativas.
Já a Secretaria de Habitação informou o plantio de quase 1,3 mil árvores em dois anos.

No entanto, pesquisadores defendem políticas mais amplas e contínuas.
A arborização urbana surge como medida central contra injustiças climáticas.

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