Uma antiga agência do Itaú Unibanco no Centro do Rio de Janeiro será colocada em leilão no dia 12 de novembro, com lance inicial de R$ 6.593.696. O imóvel, localizado na Rua da Assembleia, está fechado há cerca de dois anos e possui pouco mais de 1,4 mil metros quadrados.
A área ocupa todo o térreo de dois edifícios comerciais e possui acessos pelas ruas da Assembleia, do Carmo e São José. O imóvel pertence ao próprio banco, e a venda será realizada por meio de um Compromisso de Venda e Compra.
A propriedade faz parte de um conjunto de antigos imóveis bancários que o Itaú colocou no mercado. O leilão também inclui unidades localizadas em regiões como Penha, Botafogo, Itaboraí e Niterói.
Preço supera outras opções no Centro
O valor definido para a antiga agência chama atenção quando comparado com outros imóveis comerciais disponíveis na mesma região.
Uma antiga agência do Santander na Rua da Assembleia, onde funcionava uma unidade Select, está sendo oferecida por R$ 3,6 milhões. O espaço possui aproximadamente 1,1 mil metros quadrados e está anunciado há cerca de um ano pela Sérgio Castro Imóveis.
Segundo Lucy Dobbin, superintendente de vendas da corretora, os valores utilizados em leilões de antigas agências bancárias nem sempre acompanhariam as condições atuais do mercado imobiliário comercial do Centro.
A avaliação também considera, de acordo com a profissional, os custos elevados de IPTU e condomínio que incidem sobre alguns desses imóveis.
Centro perdeu mais de 160 agências e postos
O fechamento de agências bancárias mudou significativamente o perfil comercial do Centro do Rio nos últimos anos.
Um levantamento do Sindicato dos Bancários do Rio aponta que 163 agências e postos de atendimento bancário foram fechados entre 2021 e abril de 2025. O número representava 55% das unidades existentes no período.
Segundo o levantamento citado na matéria, restavam 131 unidades em funcionamento.
A redução também deixou grandes áreas comerciais sem utilização. A estimativa apresentada por Lucy Dobbin é de que pelo menos 95 imóveis que já funcionaram como agências bancárias continuem fechados no Centro.
Esses espaços possuem áreas entre 266 e 2.460 metros quadrados. Além das dificuldades para encontrar novos ocupantes, os custos de manutenção, condomínio e IPTU podem dificultar a recolocação dos imóveis no mercado.
Alto IPTU é apontado como obstáculo
Outro problema citado no mercado imobiliário é a diferença entre o valor efetivamente praticado nas negociações e o valor considerado pelo município para fins tributários.
Segundo a corretora, existem imóveis que podem ser vendidos por cerca de R$ 4 milhões, mas possuem avaliação municipal de aproximadamente R$ 15 milhões.
Essa diferença pode elevar o custo do IPTU e dificultar a adaptação dos antigos espaços bancários para outras atividades comerciais.
Para Lucy Dobbin, a revisão dos valores utilizados para calcular o imposto seria necessária para aproximar a tributação das condições atuais do mercado imobiliário do Centro.