Depois de meses de incerteza, estudantes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) voltaram às salas de aula nesta segunda-feira (13). Os professores suspenderam a greve iniciada em 25 de março, enquanto os servidores técnico-administrativos mantêm a paralisação, iniciada em 9 de abril.
No campus do Maracanã, na Zona Norte do Rio, o retorno foi recebido com alívio pelos alunos, mas também com preocupação diante dos impactos provocados pela interrupção do calendário acadêmico.
Além do atraso nas disciplinas, estudantes relatam dificuldades para reorganizar compromissos profissionais, estágios, atividades de pesquisa e a própria rotina acadêmica.
Retorno traz alívio, mas também insegurança
Na reta final do curso de Biologia, Pedro Lucas, de 28 anos, contou que perdeu uma oportunidade de estágio após a mudança nos horários das aulas. Com a retomada das atividades, a jornada acadêmica passou a coincidir com o período previsto para o trabalho.
O estudante afirmou que a falta de uma data definida para o encerramento da greve tornou o planejamento ainda mais difícil. Apesar de considerar a volta às aulas um alívio, ele teme uma nova paralisação e defende que os alunos tenham participação na reorganização do calendário.
A greve docente havia sido aprovada em março, após tentativas de negociação relacionadas à recomposição salarial, ao adicional por tempo de serviço e ao orçamento da universidade. Foi a primeira paralisação desse tipo na instituição em aproximadamente dez anos.
Estudantes ainda cobram auxílios
Para Brenda de Azereto, de 20 anos, estudante de Enfermagem, o retorno ocorre em meio a sentimentos contraditórios.
Segundo ela, embora os professores tenham obtido avanços em suas reivindicações, parte das demandas dos estudantes ainda não foi atendida, especialmente as relacionadas aos auxílios e à crise orçamentária da universidade.
A recomposição do calendário deverá ser definida pelos setores responsáveis da Uerj, com readequação dos prazos acadêmicos afetados durante a paralisação.
Professores suspenderam greve no início de julho
A suspensão da greve dos docentes foi aprovada em assembleia realizada no dia 1º de julho. Na ocasião, a categoria também decidiu retornar ao chamado estado de greve, mantendo a mobilização e a possibilidade de retomar a paralisação caso as negociações não avancem.
A volta às atividades em 13 de julho foi aprovada por ampla maioria dos participantes da assembleia.
A decisão ocorreu após a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro avançar na análise do Projeto de Lei Complementar nº 59/2026, que institui o Adicional de Desenvolvimento Funcional, conhecido como ADF, para servidores da universidade.
A proposta era uma das principais reivindicações apresentadas durante a greve.
O que é o Adicional de Desenvolvimento Funcional
O Adicional de Desenvolvimento Funcional estabelece uma progressão remuneratória relacionada à trajetória profissional dos servidores da Uerj.
A proposta considera critérios como:
- avaliação de desempenho;
- qualificação profissional;
- participação em atividades de capacitação;
- tempo de exercício;
- desenvolvimento ao longo da carreira.
Mesmo com o avanço da medida, outras reivindicações continuam em discussão, entre elas a recomposição do orçamento da universidade, a ampliação do auxílio-saúde e melhorias na estrutura dos campi.
Técnicos da Uerj continuam em greve
Enquanto os professores retornaram às salas, os servidores técnico-administrativos decidiram manter a paralisação.
A categoria afirma que demandas consideradas essenciais ainda não foram atendidas. Entre elas estão a retomada do pagamento de auxílios e a reformulação do plano de carreira.
O Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Públicas Estaduais no Rio de Janeiro manteve reuniões e assembleias programadas para os dias 13 e 14 de julho, incluindo um encontro do comando de greve com a Reitoria.
Os técnicos defendem que a decisão sobre o encerramento da greve seja tomada pela própria categoria, após a apresentação de respostas concretas às reivindicações.
Universidade ainda enfrenta impasse orçamentário
A crise financeira da Uerj permanece como um dos principais pontos do movimento de servidores e estudantes.
Representantes da universidade vêm realizando reuniões com o Governo do Estado para discutir o orçamento, os benefícios dos trabalhadores e os investimentos necessários para o funcionamento da instituição.
Com o retorno dos professores, a expectativa agora está voltada à divulgação do novo calendário acadêmico e ao andamento das negociações com os servidores técnico-administrativos.
Para os alunos, a volta às salas representa o início de uma reorganização após meses de paralisação, mas ainda não encerra o período de incertezas vivido pela comunidade universitária.
Fontes: odia.ig.com.br