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De JP Morgan a pequenas gestoras independentes, fundos de investimento adotam IA para análise de dados, oportunidades de ações e até financiamento de litígios, combinando tecnologia e julgamento humano.

A inteligência artificial já não é apenas uma promessa no setor financeiro: gestoras de investimentos ao redor do mundo utilizam IA para analisar dados históricos, identificar oportunidades de ações e reduzir riscos emocionais na tomada de decisões. Desde grandes bancos como o JP Morgan, que testa sistemas como o Moneyball, até startups como a Minotaur, a tecnologia está mudando a forma como gestores lidam com portfólios, aumentando eficiência, velocidade e alcance de pesquisas.

O JP Morgan, um dos maiores bancos do mundo, desenvolveu o Moneyball, uma ferramenta de inteligência artificial criada para auxiliar gestores de portfólio a evitar decisões precipitadas que poderiam levar à perda de oportunidades em ações de alto desempenho, como a Nvidia. O sistema analisa 40 anos de dados históricos para identificar padrões que indiquem se ainda vale a pena manter uma ação em carteira, mesmo após fortes valorização, permitindo decisões mais precisas e menos impulsivas.

Enquanto isso, gestoras menores apostam na IA como diferencial competitivo. É o caso da australiana Minotaur, que combina uma equipe enxuta com uma ferramenta proprietária de IA para analisar milhares de relatórios e notícias financeiras semanalmente. Um dos exemplos recentes foi a identificação da farmacêutica japonesa Chugai, pouco coberta pela mídia ocidental, mas com potencial de valorização relevante por causa de novos medicamentos. Outro caso foi a Rheinmetall, empresa alemã de equipamentos militares, que se beneficiou da análise preditiva sobre o futuro da indústria bélica na Europa.

A capacidade de análise massiva da IA também é explorada em nichos financeiros específicos, como o financiamento de litígios. Fundos de investimento, como o americano Legalist, utilizam inteligência artificial para filtrar processos judiciais com potencial de sucesso, investindo na cobertura de honorários de advogados e recebendo parte dos ganhos caso a ação seja bem-sucedida. Esse modelo, que alia tecnologia à estratégia jurídica, amplia as oportunidades de investimento em setores antes limitados a análise humana tradicional.

Apesar das vantagens, especialistas alertam que a IA ainda não deve substituir a tomada de decisão humana. Segundo Roberto Campos Neto, vice-chairman do Nubank, o caráter imprevisível das IA’s generativas torna arriscada a execução automática de investimentos, sendo essencial que gestores mantenham o controle sobre decisões que envolvem ética, valores e a economia de terceiros. Para Glaucia Rosalen, CFO da Microsoft Brasil, decisões que envolvem risco financeiro e impacto social exigem julgamento humano.

A tendência é clara: inteligência artificial e gestão financeira caminham lado a lado. Ela permite análises mais rápidas e abrangentes, identifica oportunidades fora do radar tradicional e minimiza erros emocionais, mas o toque humano permanece indispensável para decisões estratégicas e éticas.

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