O Hospital São Lucas Copacabana, no Rio de Janeiro, prevê realizar nesta quarta-feira (21) uma cirurgia metabólica inédita no Brasil com o uso de ímãs. A tecnologia permite criar uma conexão entre órgãos do sistema digestivo sem utilizar grampeadores ou pontos nessa etapa do procedimento.
A técnica será aplicada em duas pacientes que voltaram a apresentar obesidade e diabetes após passarem por cirurgias bariátricas.
Segundo as informações divulgadas sobre a intervenção, a tecnologia magnética poderá reduzir de mais de uma hora e meia para aproximadamente 15 a 20 minutos o tempo necessário para realizar a conexão.
Além disso, a equipe médica espera que as pacientes recebam alta no mesmo dia. Entretanto, essa previsão depende da evolução clínica após os procedimentos.
Como funciona a cirurgia com ímãs?
A técnica utiliza dois dispositivos magnéticos que aproximam os tecidos e permitem formar uma nova conexão no sistema digestivo.
Antes da cirurgia, a paciente ingere um dos ímãs. Durante o procedimento, o médico utiliza a videolaparoscopia para localizar o dispositivo no intestino.
Em seguida, a equipe introduz o segundo ímã por via endoscópica. A atração entre os dispositivos aproxima os tecidos e permite a formação gradual da conexão.
Esse processo dispensa o uso de grampeadores e suturas na etapa em que a tecnologia magnética atua.
De acordo com a descrição do procedimento, os tecidos cicatrizam ao longo dos dias seguintes. A previsão é que os ímãs sejam eliminados naturalmente pelas fezes após aproximadamente 15 dias.
Procedimento será realizado por especialistas em cirurgia bariátrica
O cirurgião Fernando de Barros, do Hospital São Lucas Copacabana, conduzirá os procedimentos.
A equipe também contará com a participação de Michel Gagner, especialista internacional em cirurgia bariátrica e metabólica.
Segundo a programação divulgada, Gagner estará no Rio de Janeiro para acompanhar a aplicação da tecnologia nas duas pacientes.
O hospital integra a Rede Américas e possui atuação na área de cirurgia bariátrica, voltada ao tratamento da obesidade e de doenças associadas.
Nova tecnologia busca reduzir uma etapa da cirurgia
Um dos principais diferenciais anunciados é a redução do tempo necessário para conectar os tecidos do sistema digestivo.
Enquanto a etapa convencional pode ultrapassar uma hora e meia, a equipe estima realizar essa parte da intervenção em 15 a 20 minutos.
Além disso, os responsáveis pelo procedimento esperam uma recuperação que permita a alta hospitalar no mesmo dia.
Essas estimativas, porém, não representam garantia de resultados. A duração da cirurgia e o tempo de internação dependerão das condições clínicas de cada paciente.
A tecnologia será utilizada em duas mulheres que já passaram por cirurgia bariátrica e voltaram a apresentar obesidade e diabetes.
Sociedade médica já discutiu novas técnicas de cirurgia bariátrica
A incorporação de novas técnicas à cirurgia bariátrica e metabólica também integra discussões realizadas por especialistas e entidades médicas brasileiras.
Em outubro de 2021, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) promoveu um Fórum de Cirurgias Emergentes, em São Paulo.
O encontro reuniu mais de 350 cirurgiões e representantes de entidades médicas para debater procedimentos utilizados em outros países e possibilidades de atualização das técnicas no Brasil.
Entre os temas estavam novas abordagens cirúrgicas para tratar a obesidade e doenças associadas, incluindo o diabetes tipo 2.
A discussão envolveu a avaliação de procedimentos e sua regulamentação pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).
Cirurgias estão previstas para esta quarta-feira
O Hospital São Lucas Copacabana programou os dois procedimentos para esta quarta-feira (21), com a participação dos especialistas Fernando de Barros e Michel Gagner.
A expectativa apresentada é reduzir o tempo de uma etapa cirúrgica e permitir uma recuperação mais rápida das pacientes.
Até as informações consultadas para esta reportagem, não havia confirmação de que as cirurgias já tivessem terminado ou de que as pacientes tivessem recebido alta.
Fontes
Diário do Rio