Pesquisar
ALERJ - Transforma sua vida

Ministério Público Federal aponta descarte irregular de resíduos siderúrgicos no Rio Paraíba do Sul; danos atingem fauna, flora e mais de 40 mil moradores.

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a Harsco Metals Ltda. por crimes ambientais em Volta Redonda, no Sul Fluminense, devido ao descarte irregular de resíduos siderúrgicos no Rio Paraíba do Sul. Segundo a denúncia, os resíduos, acumulados há mais de quatro décadas, contaminam o lençol freático e impedem a regeneração da vegetação em áreas de preservação permanente, colocando em risco a saúde de cerca de 40 mil moradores.

A ação, apresentada à 2ª Vara Federal de Volta Redonda, acusa as empresas de poluição (art. 54, §2º, V, da Lei nº 9.605/98) e de impedir a regeneração da flora (art. 48 da mesma lei), com potencial aplicação de sanções penais, multas e reparação integral dos danos. O MPF solicita indenização superior a R$ 430 milhões, sendo R$ 330,5 milhões por danos materiais e ecológicos e R$ 100 milhões por danos morais coletivos.

Laudos técnicos apontam que o pátio de armazenamento de escória da CSN acumula mais de 5 milhões de toneladas de resíduos em pilhas de até 30 metros, sem impermeabilização, contaminando o solo com metais pesados e fenóis. O pH da água subterrânea em alguns pontos chegou a 13,04, nível letal para a fauna aquática.

Além disso, o depósito ocupa irregularmente Área de Preservação Permanente (APP) e Faixa Marginal de Proteção (FMP) do Rio Paraíba do Sul, dentro do Refúgio de Vida Silvestre do Médio Paraíba (Revismep), prejudicando a flora e afetando diretamente a qualidade de vida de moradores de bairros vizinhos.

A CSN afirmou que recorrerá da denúncia, alegando que há três anos negocia um Termo de Acordo Judicial (TAJ) com o MPF para viabilizar soluções consensuais. A empresa negou irregularidades, alegando que estudos independentes comprovam segurança e inexistência de contaminação ambiental, criticando ainda a ausência de participação de engenheiros nos laudos apresentados pelo inquérito.

O MPF classificou a situação como uma “política corporativa consciente de descumprimento sistemático das normas ambientais”, destacando a necessidade de uma resposta firme do Estado para proteger a fauna, a flora e a população local. A denúncia reforça a importância do Direito Penal Ambiental e da responsabilização corporativa por danos de longa duração.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode gostar

nova lei do estado do rio alerta sobre impactos do uso inadequado de celulares na saúde mental e física de crianças e adolescentes

projeto da alerj prevê ações para igualdade salarial, capacitação profissional e incentivo à liderança feminina no estado

Últimas notícias
IMAGENS PARA O SITE (2)
Câmara aprova a criação do pólo gastronômico e cultural da Praça dos Salmos, em Bangu

proposta cria polo gastronômico e cultural na zona oeste do rio e impulsiona economia local com eventos, turismo e geração de empregos

IMAGENS PARA O SITE (1)
Município poderá contar com salas de acomodação sensorial na rede de ensino

câmara do rio aprova proposta que cria espaços sensoriais para estudantes com tea e amplia políticas de inclusão na rede municipal

bdrj-limpo-20260409-0545-frame-194143
Frentista do Rio desaparecido na África do Sul diz estar preso em Essuatíni

Joan Vitor dos Santos, de 27 anos, relatou estar há três dias sem comer. Família suspeita de golpe e possível tráfico humano.