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Washington e Moscou retomam o diálogo, mas exclusão da Ucrânia gera críticas na Europa

Autoridades dos EUA, Rússia e Arábia Saudita reunidas em Riade em 18 de fevereiro de 2025. — Foto: Evelyn Hockstein/Pool Photo via AP

As primeiras negociações diretas entre Estados Unidos e Rússia para discutir o fim da Guerra da Ucrânia começaram nesta terça-feira (18) na Arábia Saudita, sem representantes de Kiev. O encontro ocorre dias após um telefonema entre Donald Trump e Vladimir Putin, que acordaram iniciar “imediatamente” as tratativas para encerrar o conflito. A ausência da Ucrânia e de países europeus gerou forte rejeição por parte do presidente Volodymyr Zelensky e de líderes do continente, que consideram as discussões inválidas sem a participação de Kiev.

Negociações sob ataque

Enquanto as conversas aconteciam em Riad, a Ucrânia sofreu um dos maiores ataques aéreos desde o início da guerra. A Rússia lançou 176 drones contra o território ucraniano, dos quais 103 foram abatidos pela defesa antiaérea. Diversas regiões registraram danos e vítimas. Paralelamente, forças russas conquistaram mais uma localidade na região de Donetsk.

O Kremlin manteve sua postura firme e reafirmou que não se opõe à entrada da Ucrânia na União Europeia, desde que o país não ingresse na Otan. “A integração econômica da Ucrânia não nos preocupa. Mas alianças militares são um problema completamente diferente”, disse Dmitri Peskov, porta-voz de Putin. Ele ignorou o artigo 42.7 do Tratado da União Europeia, que prevê assistência militar mútua em caso de ataque externo.

Os protagonistas da reunião

A delegação russa é liderada pelo chanceler Sergei Lavrov e pelo assessor de política externa do Kremlin, Yuri Ushakov. O chefe do fundo soberano russo, Kirill Dmitriev, também participa das negociações. Ele é conhecido por ter promovido a vacina Sputnik V e por seu histórico como negociador.

Do lado americano, Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, comanda a equipe. Ele está acompanhado de Steve Witkoff, enviado especial de Trump para o Oriente Médio, e Mike Waltz, assessor de segurança nacional. O encontro acontece no Palácio Diriyah e é mediado pelo chanceler saudita, Faisal bin Farhan al-Saud, e seu assessor de segurança, Mosaad bin Mohammad al-Aiban.

Impactos globais

A decisão dos EUA de dialogar diretamente com a Rússia marca uma mudança estratégica na política externa americana. Desde a invasão russa em 2022, Washington buscava isolar Moscou diplomática e economicamente. Agora, o foco está em uma resolução negociada. Paralelamente, a Europa reage com preocupação. Líderes europeus reforçaram a necessidade de rearmamento e autonomia em defesa, diante da possibilidade de um acordo sem seu envolvimento.

Além da Ucrânia, a reunião pode abordar temas mais amplos, como o programa nuclear do Irã. Em janeiro, Moscou e Teerã assinaram um acordo para aprofundar laços econômicos e militares, e Putin pode usar essa relação como moeda de troca nas negociações.

Zelensky rejeita acordo sem Kiev

O presidente ucraniano já deixou claro que não aceitará qualquer acordo feito sem a sua participação. Ele criticou a decisão dos EUA e alertou que um cessar-fogo sem a Ucrânia poderá ser inaceitável. Zelensky tem viagem programada para a Arábia Saudita na quarta-feira (19), mas sua presença nas negociações é incerta.

As tratativas em Riad sinalizam uma nova fase no conflito. Se resultarão em um acordo real ou em um impasse diplomático, ainda é uma incógnita.

Fontes:
cnnbrasil.com.br
1.folha.uol.com.br
terra.com.br
g1.globo.com

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