A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta quarta-feira (15), a Operação Hawala para desarticular uma organização criminosa investigada por lavar mais de R$ 100 milhões provenientes do tráfico de drogas. Conforme as investigações, o grupo prestava serviços financeiros para integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP), do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC). Até o momento, dez pessoas foram presas.
Além disso, agentes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD) atuam em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Policiais do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) também participam da operação.
As equipes cumprem mandados de prisão, busca e apreensão, além de medidas judiciais para bloquear ativos financeiros, indisponibilizar bens e restringir participações societárias. As diligências ocorrem no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Foz do Iguaçu.
Esquema financeiro atendia diferentes facções criminosas
As investigações começaram após o monitoramento da atuação do TCP no Complexo de São Carlos, na região central do Rio de Janeiro. Entretanto, os investigadores descobriram que a estrutura financeira operava para diferentes organizações criminosas, funcionando como uma prestadora de serviços especializada na lavagem de dinheiro.
Segundo a Polícia Civil, dezenas de empresas de fachada distribuídas em diversos estados davam aparência de legalidade aos recursos obtidos com tráfico de drogas, receptação qualificada e comercialização de produtos falsificados.
Além disso, as análises financeiras receberam apoio do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD), que identificou movimentações incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.
Empresas fictícias, laranjas e depósitos em dinheiro
Durante as apurações, os investigadores identificaram uma sofisticada engenharia financeira destinada a ocultar a origem ilícita dos valores movimentados.
Entre as estratégias utilizadas estavam empresas fictícias, transferências sucessivas entre pessoas jurídicas ligadas ao grupo, depósitos fracionados em dinheiro, utilização de “laranjas” para movimentações bancárias e operações incompatíveis com a capacidade financeira dos envolvidos.
Além disso, uma operadora financeira administrava empresas responsáveis por movimentar mais de R$ 47 milhões durante o período investigado.
Os investigadores também apontam que um contador desempenhava papel estratégico no esquema. Conforme a investigação, ele teria conferido aparência de regularidade às empresas utilizadas para lavar dinheiro e deixado de comunicar operações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), conforme determina a legislação.
Suspeita de conexão internacional amplia investigação
Outro aspecto que chamou a atenção das autoridades envolve um núcleo de empresários de origem libanesa. Segundo a Polícia Civil, esse grupo teria ampliado a circulação interestadual e internacional dos recursos ilícitos.
Empresas registradas em São Paulo e Minas Gerais movimentavam valores entre operadores financeiros, empresas de fachada e integrantes das facções instaladas no Rio de Janeiro.
Além disso, as investigações identificaram indícios da atuação do grupo na Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina, região frequentemente monitorada por autoridades nacionais e internacionais em razão de suspeitas relacionadas à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo.
Ainda conforme a investigação, uma das empresas analisadas mantinha relação comercial com um homem sancionado pelo Office of Foreign Assets Control (OFAC), órgão ligado ao Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. De acordo com a Polícia Civil, o investigado integra uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda. Essa hipótese será aprofundada após a análise dos materiais apreendidos durante a operação.
Objetivo é enfraquecer financeiramente as organizações criminosas
A Operação Hawala busca interromper o fluxo financeiro que sustenta organizações criminosas envolvidas com o tráfico de drogas. Por isso, além das prisões, as autoridades priorizaram o bloqueio de patrimônio, ativos financeiros e empresas utilizadas para ocultar recursos ilícitos.
As investigações continuam para identificar novos envolvidos, localizar outros bens e aprofundar a apuração sobre a movimentação internacional do dinheiro. Paralelamente, órgãos brasileiros e estrangeiros devem colaborar nas próximas etapas da investigação, seguindo uma estratégia que prioriza a asfixia financeira das organizações criminosas.
Confronto afeta serviços públicos
Durante a operação, um confronto entre policiais e criminosos no Complexo de São Carlos provocou impactos na rotina da população.
Por causa da troca de tiros, a Secretaria Municipal de Saúde informou que uma unidade de Atenção Primária suspendeu temporariamente o atendimento. Enquanto isso, outras duas unidades permaneceram abertas, porém interromperam as atividades externas, incluindo visitas domiciliares realizadas pelas equipes de saúde.
Fontes: odia.ig.com.br