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Multi-instrumentista alagoano falece após complicações de fibrose pulmonar; velório acontece nesta segunda-feira na Areninha Cultura Hermeto Pascoal.

O músico Hermeto Pascoal, compositor e multi-instrumentista reconhecido mundialmente por sua inventividade, morreu neste sábado (13) aos 89 anos no Hospital Samaritano Barra, no Rio de Janeiro, devido a falência múltipla dos órgãos. O velório será realizado nesta segunda-feira (15), das 14h às 21h, na Areninha Cultura Hermeto Pascoal, em Bangu, Zona Oeste do Rio, aberto ao público.

Nascido em 22 de junho de 1936, em Lagoa da Canoa, no agreste de Alagoas, Hermeto Pascoal superou desafios desde a infância. Albino, ele não pôde trabalhar na lavoura e encontrou na música sua vocação. Autodidata, começou a tocar sanfona aos 10 anos e desenvolveu uma relação única com sons da natureza e objetos do cotidiano, transformando-os em instrumentos musicais.

A carreira de Hermeto ganhou projeção nacional nos anos 1960, quando se mudou para São Paulo e posteriormente para o Rio de Janeiro, consolidando-se como figura central da música instrumental brasileira. Participou de grupos como o Sambrasa Trio e o Quarteto Novo, ao lado de grandes nomes como Airto Moreira, Heraldo do Monte e Theo de Barros, e gravou ao lado de artistas internacionais, incluindo Miles Davis, que o considerava “o músico mais impressionante do mundo”.

Hermeto Pascoal foi três vezes vencedor do Grammy Latino e recebeu títulos de doutor honoris causa da Juilliard School (EUA), da Universidade Federal da Paraíba e da Universidade Federal de Alagoas. Mesmo aos 89 anos, continuava ativo: sua última apresentação no Brasil foi em junho de 2025, no Circo Voador, Rio de Janeiro, poucos dias antes de completar 89 anos.

Reconhecido como “O Bruxo” da música, Hermeto transformava objetos e sons da vida cotidiana em música, incluindo panelas, garrafas e o coaxar de sapos. Seu legado influenciou gerações de músicos e deixou um impacto duradouro na música instrumental e na improvisação brasileira.

O velório será aberto ao público e permitirá que fãs prestem sua última homenagem ao músico, que deixa seis filhos, 13 netos e dez bisnetos. A família pediu que as homenagens fossem feitas através da música: “Deixemos soar uma nota no instrumento, na voz, na chaleira e ofereçamos ao universo. É assim que ele gostaria.”

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