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Pesquisadores da Coppe/UFRJ projetam avanço do mar e impactos severos na infraestrutura e ecossistemas do Rio de Janeiro, incluindo a perda de faixa de areia nas praias e o desaparecimento de manguezais.

O futuro das águas do Rio de Janeiro pode ser mais sombrio do que se imagina. Pesquisadores da Coppe/UFRJ divulgaram um estudo inédito que indica que, até 2100, a Lagoa Rodrigo de Freitas pode sofrer inundações permanentes. A elevação do nível do mar, associada a eventos extremos como ressacas, colocaria em risco a laguna e seu entorno urbanizado. A projeção, baseada em modelagem hidrodinâmica, aponta que o espelho d’água das lagoas costeiras da cidade, incluindo a Lagoa Rodrigo de Freitas, pode se expandir significativamente, ameaçando áreas já alteradas pela urbanização.

Efeitos de séculos de urbanização e mudanças climáticas

A Lagoa Rodrigo de Freitas, que perdeu quase metade de sua área original desde o século XIX devido ao aterramento e à remoção de vegetação nativa, ainda enfrenta os impactos da urbanização das décadas de 1940 a 1960. O crescimento das cidades ao redor, incluindo a construção de prédios e a remoção de comunidades, alterou radicalmente a paisagem. Agora, com a aceleração das mudanças climáticas e o aumento do nível do mar, esses processos podem se intensificar. O coordenador do estudo, oceanógrafo Luís Paulo de Freitas Assad, alerta que os efeitos das mudanças climáticas vão agravar a perda da capacidade de drenagem da região e impactar até parques e clubes localizados nas margens da lagoa.

Praias da Zona Sul em risco de perderem faixa de areia

Além das lagoas, o estudo revela que as praias do Rio, principalmente na Zona Sul, enfrentarão perdas drásticas. O avanço do mar, estimado em até 100 metros ao longo do século, pode reduzir a faixa de areia das praias de Copacabana, Ipanema e Leblon em até 80 metros nas próximas décadas. A erosão já é visível, com Copacabana perdendo cerca de 10% de sua faixa de areia nos últimos 10 anos. A intensificação das ressacas também contribui para a redução da área da praia. Em alguns eventos de maré alta, o mar pode avançar ainda mais 60 metros, comprometendo o espaço disponível para os banhistas.

Riscos ecológicos e desafios urbanos

O estudo também projeta impactos sérios na ecologia da cidade. A perda de manguezais na APA de Guapimirim e a expansão do espelho d’água das lagoas costeiras podem alterar ecossistemas críticos para a biodiversidade local. Além disso, a infraestrutura urbana das áreas costeiras pode ser severamente afetada. A drenagem e o saneamento, que já enfrentam desafios, seriam insuficientes para lidar com o aumento da água. Segundo a pesquisa, áreas atualmente afetadas por alagamentos sazonais poderão sofrer inundações permanentes, alterando o uso do solo e comprometendo a qualidade de vida.

Soluções para mitigar os danos

No entanto, os pesquisadores não descartam a possibilidade de mitigar esses impactos, desde que haja planejamento adequado. Ações de engenharia costeira, como o engordamento artificial da faixa de areia, a construção de recifes artificiais e moles para contenção, podem ajudar a reduzir os efeitos da elevação do mar. Entretanto, essas soluções exigem um monitoramento contínuo das condições oceânicas e devem considerar não apenas o aumento do nível do mar, mas também a intensificação dos eventos climáticos extremos, como as ressacas.

Preocupação com os banhistas e o futuro das praias

Além dos riscos para a infraestrutura, os banhistas também devem estar atentos. As correntes fortes e os riscos de afogamento, que já existem nas praias, podem se intensificar com a maior frequência de eventos climáticos extremos. O especialista recomenda que, mesmo no presente, os banhistas observem as bandeiras vermelhas nas praias, pois os riscos de correntes perigosas são reais e aumentarão com o tempo.

Fontes:g1.globo.com/diariodorio.com

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